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domingo, 14 de abril de 2019

O homem solitário

O homem solitário
Carrega correntes.
Correntes invisíveis.
Correntes silenciosas.
Mas pesadas.
Pesadas correntes.
O homem solitário
Desperta
Envolto nas correntes.
Enredado nas correntes.
Anda pelas ruas
Arrastando as correntes.
Almoça ao lado
Das correntes.
Descansa
Sentado nas correntes.
Trabalha e se distrai
Puxando as correntes.
As pesadas correntes.
As correntes pesadas.
Janta ao lado
Das correntes.
Reflete
Olhando as correntes.
O homem solitário
Contempla as correntes.
Acaricia as correntes.
Admira as correntes.
E chora.
Cansado
O homem solitário
Adormece.
Seu corpo acomoda-se
Às correntes.
Sonha, com sofreguidão
O homem solitário.
Vê-se livre das correntes.
Dá um sorriso encabulado.
Sente até certa emoção.
E, então, desperta acorrentado
Na sua solidão.

Sem explicação


Tinha um riso solto, coberto por pontos de interrogação. Guardava algum segredo. Talvez houvesse medo, talvez houvesse não. Hoje olha meio de lado, num olhar assustado. Já não ri como ria, não. Acha que não cabe... Por quê? Ninguém sabe. Não tem explicação...

É amor...


Não chega a ser paciência, mas uma certa habilidade de acalmar. Não chega a ser esperança, mas um certo jeito de esperar. Não chega ser vontade, mas um certo modo de aspirar. Não chega a ser saudade, mas uma certa angústia no olhar. Assim que é. É amor, mas não há muito bem como explicar...

sábado, 13 de abril de 2019

Os dois


A noite era a mesma, de luar. Os dois ali, a contemplá-la. Ao mesmo tempo. Traziam, por certo, vivências próprias. Até certo ponto, possuíam a mesma visão - não fosse o tempo... O implacável tempo. Tornava-os iguais e também tão diferentes. Talvez representasse o que muitos chamam de destino, outros de realidade...

Infeliz

Infeliz é o homem que
Não ama
Por ter medo de ser amado
Não procura
Para não sentir-se procurado
Não sorri
Para não ser visado
Não perdoa
Por temer ser censurado
Não demonstra os sentimentos
Para viver sem ser notado.

Quantas vezes?


Quantas vezes se corre, se chora, se grita, se morre de angústia, sem aparente razão? Quantas vezes a gente se esvai, nem fica nem vai, e se socorre do silêncio, da lágrima, da solidão? E então o que nos resta é um olhar a pedir que alguém nos mostre o que sempre esteve ali: parecíamos tão distantes, tão sós - e a vida, tão bela, a poucos instantes de nós...

Felicidade

Vá com fé
Ou esqueça.
Na verdade
A felicidade
Não tem pé
Nem cabeça.