Defini-la, há quem possa?
Ela está ali, mas além.
Parece mesmo ser nossa
Mas não pertence a ninguém.
Ela é a Lua:
A dama da noite
A dona da rua.
Ela chegava num pisar tão leve
Coloria sempre todo o ambiente
Ao sair deixava um "até breve"
E linda assim encantava toda a gente.
Era dona de qualquer lugar.
Ninguém nunca a conhecia tanto
Ninguém sabia se nela havia dor.
Transparecia energia e encanto
Representava viver só de amor.
Que era mesmo difícil acreditar
Que aquela moça, ela também
Guardava quieta o seu segredo:
Queria tanto gostar de alguém
Queria amar, mas tinha muito medo...
A lágrima serena
No olhar castanho da morena
Tem um motivo, por certo:
Ela está triste
Pois seu amor insiste
Em não estar por perto...
Não há por que temer a descoberta
E tanto perder por esperar.
Não adianta deixar a porta aberta,
Quando não haja mais quem queira entrar...
Quem dera um dia
Chegasse o momento
Em que a alegria
Fosse o maior sentimento.
A maior preocupação
Fosse viver a vida
Com toda a emoção
Permitida.
O sonho singelo
Vencesse as barreiras
Da dor, do flagelo
De vidas inteiras.
Que o mundo vivido
Fosse o mundo sonhado
Não o amadurecido,
Triste e amargurado.
Quem dera um dia
Reinassem as coisas simples, a toas
E que a poesia
Modificasse a vida das pessoas.
Hoje os meus versos
Acompanhavam-me pelas calçadas.
Pareciam dispersos
Em muitos lugares.
Fugiam de mim em olhares
E em bocas caladas.
Olhavam-me ao longe
Como quem chama
E logo se esconde.
Faziam assim,
Corriam de mim
Sem dizerem-me para onde...
Mas não vou perder minha alegria
Vou deixá-los seguir com seu encanto.
Outra hora os revejo em poesia
Outro dia certamente os encontro...
Guardem-se
as proporções
as dimensões
Respeitem-se
as posições
as dissensões
Percebam-se
as divisões
as reclamações
Façam-se
as previsões
as predições
Tenham-se
as predileções
as precipitações
Queixem-se
aos borbotões
às provocações
Respondam-se
a todas as questões
a todos os senões
E nunca escondam-se
as sensações
as emoções...
Entre tanto.