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terça-feira, 10 de junho de 2014

A procura

Circulava silenciosamente com sua solidão em ambientes lotados, mas vazios. Do alto som e do tilintar dos copos captava os suspiros e o misturar-se das falas. Aquelas conversas desconexas pareciam ter somente um tema: a procura. A procura por alguma forma de felicidade. Mesmo que rapidamente. Mesmo que só por instantes. Ser feliz só um pouquinho. Pelo menos até o dia amanhecer...

sábado, 7 de junho de 2014

Uma história de amor

Certo dia a vi em um bar
E guardei seu olhar
Sem que pudesse me ver.
Cuidei cada seu trejeito
E a senti invadir o meu peito
Com seu modo tão meigo de ser.

Vestia uma roupa clara
E da sua beleza tão rara
Não pude jamais esquecer.

Chamou tanto a minha atenção
Causou tamanha impressão
Que queria demais a rever.

Sonhava encontrá-la nas ruas
Procurava descobrir coisas suas
Para, quem sabe, melhor a conhecer.
Aos amigos só falava dela
A mulher atraente e tão bela
A quem amava mais do que poderia crer.

Por mais que me pedissem a calma
Era tanto o amor em minha alma
Que não sentia podê-lo conter.
A eles não dava atenção
Só ouvia o meu coração
Que só a ela dirigia o meu ser.

Outra vez a encontrei, sempre bela
Pensei que era ali e era aquela
A hora de falar do meu querer.
Corri ao seu rumo, todo apaixonado
Mas havia alguém do seu lado
Que cego, mal pude perceber.

Desta vez me olhou, acanhada
Quanto a mim, lhe falar? Não, mais nada...
Passei por ela, como se não estivesse a ver.
Percebi que já havia outro alguém
A amar, como a amo também
E a mim, só restava esquecer...

Hoje perambulo na noite fugaz
Guardando a ilusão que me faz
Alternar entre a alegria e a dor
Toda vez que me vem à memória
O que poderia sido uma história:
A história do nosso amor...

quinta-feira, 5 de junho de 2014

A carta


Mediu as palavras. Escreveu a carta. Releu o texto. Rabiscou algumas linhas. Trocou expressões. Corrigiu pontuações. Adicionou mais um tanto. Releu. Passou a limpo. Caprichou na letra. Releu. Ajeitou a tinta fraca. Releu. Assinou. Preencheu o envelope. Envelopou. Lacrou. Selou. Arrumou-se. Respirou fundo. Encheu-se de coragem. Saiu à rua. Envelope na mão. Caminhou em passo firme. Quase correu. Riu de si. Sorriu às pessoas. Acariciou um cachorro. Correu mais um tanto. Correios. Ingressou. Fila de espera. Ansiedade. Olhou pro envelope. Cedeu a vez. "Pode passar, por favor..." Recuou. Voltou à calçada. Olhou pro envelope. Refez o caminho. Devagar. Devagar. Seriedade. Não olhou as pessoas. Desviou do cachorro. As chaves. Em casa. No quarto. O envelope. A gaveta. O silêncio. O silêncio. "Um dia, talvez..."

Hora de prosseguir...

Sei que um dia, quando parecer que tudo estará definido, saberei exatamente o quanto houve de sentido e lembrarei de cada vez que parei ou que corri. Sentirei, então, os gostos, os perfumes, todos os sabores, as presenças, as ausências, os amores que vivi ou que perdi. Passarei, de leve, as mãos no rosto, este já um reflexo do que eu tenha sido, e chorarei por ter vivido apenas o que consegui... Saberei reconhecer que não foi pouco - fui ingênuo, aprendiz, alegre, triste, fui feliz, poeta, sonhador, fui mesmo um louco a lutar pelo que quis. Farei o meu melhor olhar (aquele decidido) e, mesmo com medo, tentarei sorrir. Aquele momento de estranha beleza me trará a certeza de que nada foi perdido e sereno ficarei entregue, afinal, depois daquele pensamento breve, estarei pronto para prosseguir...

Até quando?

Repouso no teu silêncio
E desperto na minha solidão.
Até quando te encontrar
Será a minha perdição?

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Ao que virá...

Ao final do dia
A moça até tenta sorrir.
Quieta, vence a nostalgia
E se fortalece ao que está por vir...

domingo, 1 de junho de 2014

Estranho

Estranho
É muitas vezes
Neste mundo tão tamanho
A gente não se sentir
Estranho