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domingo, 30 de outubro de 2016

Penso

Ouço
Conheço
Mas desobedeço.
Não tem jeito
Não dou guarida.
Não, não aceito
Ideia preconcebida.
Sempre fui assim:
Ninguém pensa por mim.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Um pouco de mim...

Encontrei um pouco de mim
Naquele sorriso sem graça
Naquele jeito de falar sem dizer
Naquele estar ausente, estando ali.
Naquele querer, sem querer.
Encontrei um pouco de mim
No olhar vago, disperso
No olhar de indecisão
No olhar calmo que sorria
No olhar que disfarçava.
Encontrei um pouco de mim
No pensamento que ardia
No pensamento que chamava
No pensamento que supunha
No pensamento a dissimular.
Encontrei um pouco de mim
Mas quase não me reconheci
Encontrei um pouco de mim
E logo depois me perdi.

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Alheios

Transitavam
Em olhares alheios.
Transitavam alheios
Por diversos lugares.
Sempre assim, alheios,
Sempre, sempre alheios
Aos lugares e aos olhares.

domingo, 25 de setembro de 2016

Procura...

Há o que te toque
Que te faz rir à toa
Chega, te dá um choque
E teu pensamento voa.
Não fica na espera, esta tortura.
Vai lá, te movimenta, procura...

sábado, 24 de setembro de 2016

Um socorro

Sem rota
Perambula
Pela rua escura.
De roupa rota
Gesticula
Com ar de amargura.

Olhar vidrado
Fixo, transtornado.
Ninguém atura.
Não quer comida.
Quer guarida
E um gesto de ternura...

Meu medo

Meus pensamentos
Acomodam-se lentamente.
Comigo foi sempre assim.
São pequenos tormentos.
Mas sei que, certamente,
Se tenho medo é de mim.

sábado, 17 de setembro de 2016

Perdoa?

Perdoa
Meu riso sem graça
O olhar de pirraça
Que te faz rir à toa.
Perdoa
Meu silêncio discreto
O meu sonho secreto
O aquietar que destoa.
Perdoa
Se te confundo, te iludo
Se vou falar e fico mudo
E a palavra me voa.
Meu pedido ecoa.
Não sei sobre o fim.
Mal sei sobre mim...
Perdoa?