Fumava há muitos anos. Às vezes, por sentir que a saúde a cada dia parecia menos robusta, pensava seriamente em parar. Os dentes estavam escurecidos, os dedos amarelados, a voz já não era mais a mesma. O fôlego, então... Mas adiava e adiava.
Certo dia, acordou positivamente decidido: será hoje! Naquele dia, exatamente às 15h, fumaria pela última vez.
Na hora aprazada, retirou da carteira um dos seus adorados companheiros de vida e fez com que começasse a queimar, se deliciando com aquele néctar macabro. Curtiu profundamente aqueles instantes derradeiros, pois era uma despedida que sempre tentou evitar. Era preciso, porém . Não recuaria.
Pausadamente, em aspirações medidas, sentidas e ressentidas, levou até o fim o ato de fumar o seu último cigarro. Feito. Após a última tragada, com sensação de liberdade e de dever cumprido, respirou aliviadamente. E morreu.