terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Estou

Venho dos meus pensamentos antigos. De eras remotas, quando nem bem sabia de mim. Venho de sorrisos sem jeito, de um sorrir desbotado - mais para agradar do que para rir. Venho dos meus sumiços, das minhas ausências, dos meus silêncios. Das minhas buscas desesperadas. Dos meus gritos sem eco. Dos meus cansaços. De minhas inconsequências. Mas venho. Arrasto o peso dos séculos e séculos. Das trilhas por onde andei e nem lembro. Suspiro nos perfumes de quem amei - e me amou - e nem sei mais. Puxo meus trajes fugazes, feitos de vento e parcas lembranças. Vejo olhares que se curvavam aos meus - e eu queria tanto um olhar. E vim. Vim. Agora, sem lentes não enxergo meus olhos no espelho. Mas sei que estou ali. Sinto que estou em mim.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Sou

Sou uma parcela, um elo
Um verso, diverso, disperso 
Em um universo paralelo

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

A solidão da moça

Sem pensar em mais nada
A moça circula pela madrugada
E desfila em sua dança pelo salão.


Com um sorriso de triste alegria
Esconde a dor e a melancolia
E disfarça a sua solidão...

sábado, 21 de novembro de 2015

A receita

Quer saber a receita
De como tudo se ajeita?
Utilize um pouco por dia
De música e de poesia.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Além...

Além da porta, a sorte. 
Basta acreditar nela.
Em um segundo, o mundo
Do outro lado da janela.

Que pena...

Há quem desvie dinheiro
Se aposse do que é alheio
Somando milhão após milhão.
Há quem caminhe o tempo inteiro
Procurando um modo, um meio
De conseguir um pedaço de pão.
Que aproveitem os senhores imunes
Que cada um esconda o seu nome.
Por ora durmam bem, sigam impunes
Até a hora de, então, passarem fome.
Perceberão, um dia, que o fim não é o fim.
Que grande pena, não precisava ser assim...

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

As palavras

Aquelas
Palavras
Riscadas
Rasgadas
Escorridas
Nas folhas
Levavam o peso
Das mãos do escritor.
Mesmo as leves
Compunham frases
Ou versos dispersos
Que narravam as fases
Tão várias, vividas
As angústias sofridas
E também seus tormentos
Em confusos sentimentos
De amor ou de dor.

domingo, 8 de novembro de 2015

A dor

A dor existe.
Não a decanto.
Sei que ela insiste.
Quer virar pranto.
Mesmo que pareça nada
E que não se possa impedir o pior
Procuro trocar a palavra pesada
Por outra que venha trazer o melhor.

sábado, 7 de novembro de 2015

Atitude

Aja para que haja.
Seja, onde quer que esteja.
Siga em frente, sempre ciente
De que nem tudo é como deseja.
Mas saiba que é mesmo verdade:
A atitude faz do sonho a realidade.

domingo, 1 de novembro de 2015

A moça

Sorri com o olhar - e sentimento.
Fala com voz suave - e sinceridade.
A moça quando está é encantamento
E tão logo se vai já é saudade.

sábado, 31 de outubro de 2015

Indecisão

Demorou
A se decidir.
Quando chegou
Já era hora de partir.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Depois dos temporais...

Depois dos temporais
Resta o passo de seguir
Resta o sonho de sonhar
Resta o riso de sorrir
Resta a força pra lutar
E não desistir, jamais!

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Parece...

Tudo é mesmo muito louco
E nem sempre é como a gente quer.
Mas saiba que o que às vezes parece pouco
Na verdade, na realidade, muito já é.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

O bilhete

O bilhete de repente achado
No papel já amarelo e amassado
Parecia trazer um recado da dor.
Tinha tudo para ser de despedida,
Mas continha uma declaração de amor:
A primeira que alguém recebeu na vida...

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Sorrir...

Às vezes sorrio um sorriso acanhado.
Algo como sorrir pela metade.
É um sorriso triste, envergonhado,
Como se sorrir fosse apenas uma necessidade.
É preciso sorrir - e eu tento.
Se não há motivo, invento.
Mas é um sorrir angustiado, profundo,
Abafado, espremido, pela dor do mundo.

Leve-me...

Leve, assim ela é.
Leve e fácil de querer.
Plena, sutil, flutua
Pluma, brisa, se insinua.
Eu eu tento alcançá-la...
Estico os braços
Quase encosto os dedos.
Corro, mas me embaraço
Envolto em seus segredos.
Chego quase a tocá-la...
E ela vai
A favor do vento.
E ela vai
Linda, dona do tempo.
Chego a sentir o seu respirar...
Leve, assim ela é, e só.
Já que alcançá-la não consigo.
Espero que ela tenha dó
E venha para ficar comigo...

domingo, 4 de outubro de 2015

Estar...

Já fui em muitos "eu não vou"
E estive em tantos "não estou"
Porque embora estando ou se tivesse ido
Estava mesmo em meu olhar perdido.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Coragem...

Lutou pela vida desde cedo.
Para cada sonho idealizava uma imagem.
Aprendeu que o que para muitos é motivo de medo
Para outros é impulso, é força, é vibração - e coragem.

sábado, 26 de setembro de 2015

Um sujeito

Era um sujeito assim como eu.
Ele muito e muito caminhou.
Tanto e tanto se perdeu
Que um dia se encontrou.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Para sempre...

Fechou os olhos, naquele instante. Inspirou fortemente o aroma do ar e demorou a expirar. Tratou de escutar o que se diria ser inaudível. Moveu-se vagarosamente, sem a menor vontade. Depois, displicentemente, jogou fora o relógio. Buscou todas as medidas para que simbolicamente aquele momento ficasse registrado para sempre - e o tempo definitivamente parasse.

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Um sorriso...

Ontem perdi um sorriso, nas imediações do centro da cidade. Não consegui achá-lo de modo algum. Tenho outros em casa, ainda bem, mas gostava muito daquele também. A quem o encontrar, peço apenas que dê a ele alegria, carinho e atenção - sem restrições de quantidade ou de horário. Não sendo assim, ele vai se enfraquecendo e esvai-se, no ar. Acho tão triste um sorriso desaparecer...

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

A casa...

A casa da minha infância tenho na memória igualzinha como era. Ainda ontem passei pela sala e meu pai estava em sua cadeira, lendo compenetrado. Fui ao meu quarto e revirei a caixa de brinquedos. Ao fundo achei aquele velho relógio de pulso, a corda, com pulseira em um lado só. Quando fui ver a hora que marcava, despertei com os olhos úmidos e as mãos vazias...

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Ria...

Ria, ria, na cidade fria.
Ria a moça pela rua.
Ria, ria, ria - e corria,
Imaginando-se nua,
Sob a luz da Lua.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Outra vez...

Nos diversos rumos ao desconhecido
Se ainda hoje não me tivesse decidido
E existissem em mim a dúvida e a estranheza
Posso afirmar, com exatidão e certeza:
Sempre me defini com o coração e (in)sensatez
E escolheria igualzinho - e viveria tudo outra vez.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Pela vida...

Mexe no lixão
E assobia,
O maltrapilho.
Tem no coração
A sua alegria
E o seu brilho.
Há dias em que chora,
Em outros um pouco avança.
Busca força e, sem demora,
Segue a luta, renova a esperança.
Causa inveja e tristeza
Ao pobre do rico cidadão
Que caminha de braços com a riqueza
Mas consigo arrasta egoísmo e solidão.

Dança...

Dança de dia
Porque traz alegria.
E não esquece de que a noite vem.
Mas tudo bem.
Quando chegar a noite,
Dança também.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Este eu...


Estou sempre neste eu que me acompanha. Neste eu que sabe os meus ensejos e desvenda os meus desejos - até os secretos. Este eu que descobre os meus sonhos mais discretos. Este eu que conhece mesmo mais de mim do que sei eu. Este eu que lembra toda hora o que de mim se perdeu e ri de mim. Como pode este eu agir assim? Como pode este eu tantas vezes me deixar de lado e me fazer sentir abandonado? E acreditem: este eu é capaz de desvendar o meu destino... E quando me julga a ponto de cometer algum desatino me indaga e me cobra, como quem nunca um dia se perdeu, sobre quem é este, esta parte que me sobra, quem é este que afinal sou eu...

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Hoje...


Já ri, com vontade de chorar
Já chorei, com vontade de rir.
Já parti, com vontade de ficar.
Já fiquei, com vontade de partir.


Já corri, com vontade de parar
Já parei, com vontade de correr.
Já esqueci, com vontade de lembrar
Já lembrei, com vontade de esquecer.

Já gritei sem dó, para abafar a emoção.
Já estive só, mesmo em meio à multidão.
Já fiz tanto e tão pouco que nem sei.
Já quis tão pouco e tanto, que só mesmo eu sei.

Hoje procuro o pensar que livre voe.
Hoje procuro achar o que o pensar destoe.
Hoje procuro não definir vontades.
Hoje procuro não procurar verdades.

sábado, 27 de junho de 2015

Sonhar

É o que há:
Se é muito o sonho
Muito pior é não sonhar.

terça-feira, 16 de junho de 2015

Uma história

Era uma vez
Uma história mal contada
Que como tantas, outra vez
Não deu em nada...

domingo, 24 de maio de 2015

Como faz?

Coisa linda este som...
Curte só, diz pra mim:
Como faz pra alcançar este tom?
Tão assim... tão... Jobim...

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Um querer

Estou contido
Na calma
De um querer
Avulso.
Estou contigo
Corpo e alma
E o que é te ver?
Impulso.

Felicidade

na frente
falta dente
mas sorri contente
"tem importância, não"
afinal, não é todo dia
que tem a alegria
de ter pão...

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Meu coração

Tenho um coração aflito
Assim, meio esquisito
Que mais que palpita
Pula, salta, se agita
e
Quer viver tudo com toda a alma.
Procura todo tempo a emoção.
Um tanto sem jeito e sem um tanto de calma
Vamos por aí, eu e este meu coração...

sábado, 2 de maio de 2015

A folha

A folha planou, 
dobrou na esquina 
e virou marcador 
no livro da menina.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Sugiro...

Eu te sugiro:
Sorriso franco
Folhas em branco
E muitos lápis de cor.
Eu te sugiro:
Pensamento aberto
Que tenhas alguém por perto
E que vivas um grande amor.

sábado, 11 de abril de 2015

Com o tempo...

Com o tempo havia descoberto
Que quando mais longe
Sentia-se mais perto.

sábado, 4 de abril de 2015

Felicidade

Vá com fé
Ou esqueça.
Na verdade
A felicidade
Não tem pé
Nem cabeça.

terça-feira, 31 de março de 2015

Amor?

Aquele olhar de eternidade
Inundou todo o ambiente.
E o que era até então realidade
Transformou-se, de repente...
... em alucinação.
Em imensidão, torpor.
Seria somente paixão?
Ou seria mesmo...

segunda-feira, 30 de março de 2015

Aviões de papel

Aviões de papel colorem o céu.
A distância e o tempo não são problemas.
O que eles transportam? Poemas...

quinta-feira, 19 de março de 2015

Um sonho...

Em certa ocasião
Plantou um sonho.
Mas que estranho,
Brotou uma desilusão...

sábado, 14 de março de 2015

A brisa

A brisa suave vinha leve pela tua rua
Trazia ela um tanto da presença minha
Levava ela um tanto da lembrança tua.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

A florista

A florista com o seu olhar e os gestos de constante primavera... 
Esperar tornava agradável a espera. 
Aquele recanto era repleto de puro encanto. 
Ar singelo e todo prosa assim. 
Quem diria que a semente de uma rosa faria brotar todo um jardim?

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Ao luar

Refazia-se
de cacos
pedaços
remoídos
traços
carcomidos
sonhos
destruídos.
Remontava-se
em fragmentos
de tormentos
retorcidos
e
partia.
Quase
sorria
quando
corria
à rua
para
caminhar
sob a luz
da Lua.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Carnaval

Pegou confete e serpentina
Cobriu-se de purpurina
E saiu para a rua, linda, a cantar.
Esqueceu-se do dia a dia
Vestiu-se de alegria
E lá vai a moça, fulgurante, a sambar...

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

O sapo...

Acho que no lago
ao lado da casa do lado
tem um sapo apaixonado...

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Sozinhas...

Palavras 
solitárias.
Perambulam
sem etc e tal,
sem encontrar
o ponto final.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Sem ti...

Senti:
Tanto faz...
Sem ti
Nada faz
Sentido...

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Simplesmente...

Sem 
qualquer plano
eu plano
em voo pleno.
E assim, insano,
não temo engano,
nada planejo.
Apenas ouso.
Pouco é o que desejo.
Algo simples, ameno:
Depois de um livre voar,
e algum planar,
um pouso
sereno.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

O recanto

Tu procuras e andas tanto e tanto.
Aí percebes que muito de ti se perdeu.
Até que descobres que todo o encanto
Está em um canto que é um recanto só teu.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Bacana

A cena:
sem drama.
Ela sorri, me acena
e eu acho bacana.

sábado, 24 de janeiro de 2015

Cheia

Um dia a ficha caiu
E a moça sentiu-se cheia
De tanto vazio.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

enquanto

enquanto
o tempo
é o que há
aguardo a brisa
que não avisa
quando irá chegar

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Corri...

Sim,
uma vez corri do desespero.
Corri.
Corri o mundo inteiro.
Tanto andei
que me encontrei
aqui.
Na realidade
a verdade
é que me achei
quando encontrei
a ti...

sábado, 3 de janeiro de 2015

Voou...

Como pássaro ela era.
Um tempo por ali ficou.
Permanecer, uma quimera...
Como bom pássaro que era, voou.