sexta-feira, 26 de maio de 2017

Sentimento

Que sentimento seria eu, 
Entre a tristeza e a alegria? 
Talvez algum que se perdeu, 
Entre a saudade e a nostalgia...

quinta-feira, 25 de maio de 2017

As mãos

As mãos que se erguem feridas
Sangram por todas as vidas
Jogadas à própria sorte.
Já outras mãos, sujas mas polidas
Assinam, determinam medidas
Que conduzem à miséria e à morte.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

O andarilho

Nada mais possuía
Apenas um sorriso cansado
Sem qualquer garantia
De que não fosse sorrir atrasado.
Andava por aí, em agonia
Em caminhar lento, acabrunhado
Quando era de sorrir, sorria
Com aquele seu sorriso cansado.

domingo, 21 de maio de 2017

Um grande amor

Entre o que poderia ter sido
Tudo o que houve sem ter existido
Estavam os sonhos, o riso e a dor.
Os olhos úmidos e a voz embargada
Diziam tanto, mas parecia quase nada.
Nem notaram que viviam um grande amor...

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Aparência

A moça de olhos cansados
E gestos comedidos, tão naturais
Mantém escondidos, abafados
Suas tempestades e seus vendavais.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

O quadro

No quadro a fotografia
Guarda a imagem fria
Que retrata a história
Acalentada na memória.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Alucinação

Só quem sabe o que é
É que sabe mesmo como é.
Quem não sabe, apenas imagina.
Às vezes parece até uma afronta:
O coração se resolve e nos apronta.
Aí o amor rima com dor - e nos alucina.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

O mundo...

É tudo por um fio
É tudo tão vazio
É tudo tão profundo
Mas no espaço
De um abraço
Cabe o mundo

terça-feira, 4 de abril de 2017

E é...

Ora, vejam só vocês:
A Lua, o vento, a noite - os três.
Depois outro dia, outra vez...
Depois outro dia, outra vez...
A Lua, o vento, a noite - os três.
Ora, vejam só vocês...

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Assim...

Estou aqui
Ando por aí
Andar ressoa
Ontem te vi
Pensei em ti
Pensar ecoa
Pensei em te ver aqui
Ou em estar contigo aí
Nós dois a andar à toa
Que coisa boa...

quinta-feira, 30 de março de 2017

E agora?

O passado 
Fechou a janela
E foi embora.
E agora?
Corre!
O futuro te espera
Lá fora...

sábado, 25 de março de 2017

Lugar

Quando ficar é o que se quer
Não importa mesmo lugar algum.
Se para partir há um motivo qualquer
Aí qualquer lugar vira lugar nenhum.

quarta-feira, 22 de março de 2017

Um tempo

Houve um tempo disperso
De sonhos e de imensidão.
Houve um tempo perverso
De medo e de solidão.
Houve um tempo distante
Um tempo que foi antes
De saber sobre o sim ou o não.
Mas foi-se aquele tempo embora
Levado pela pressa do agora
Carregado de muita emoção.
Deixou uma ausência sonora
Aquela sem tempo, sem hora
De fazer retornar a ilusão.
Ilusão que nos leva outra vez
a sentir.
Ilusão que nos faz outra vez
prosseguir.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Esperança

Descobriu o que era esperança
Quando, sem qualquer explicação,
O amor a convidou para uma dança
E felizes saíram a deslizar pelo salão.

domingo, 12 de março de 2017

Súbito

Foi muito de repente
Assim, do nada, urgente.
Surgiu numa pressa louca:
Foi amor à queima-roupa.

sexta-feira, 10 de março de 2017

A realidade

Às vezes a maior tolice
Está no que não se disse
Na agonia da palavra oprimida
Sem força, sem tônus, sem vida
No grito abafado e dolorido
No choro fraco, quase sumido
Nas noites sem fim, imensidão
Das lembranças e da solidão
Ah, que falta faz a coragem
Que surge como miragem
E em breve se vai embora
Corre, voa, pelo mundo afora
O ímpeto que parecia tamanho
Desfaz-se, fluido, como um sonho
Fica, então, no ar a saudade
E na boca o gosto da realidade.

quarta-feira, 8 de março de 2017

Companhia

Quando a solidão te procurar
Não te preocupes, não é nada...
Pois ela quer apenas conversar
E andar um pouco, acompanhada.

Assim...

É assim que prossigo:
Um tanto vou com a poesia
Outro tanto ela vai comigo.

Decerto...

De perto
Nada certo
Por certo
O deserto.
Ao fundo
O mundo...

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Viver

A noite avança
Voltar não dá mais.
Resta a esperança,
Depois dos temporais.
Sempre faz sentido
Cada momento vivido...

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Na varanda

De vez em quando
O passado aparece
Para dar um bom-dia.
Surge relembrando
O que nunca fenece
E já traz a nostalgia.
O tempo distante
Em um breve instante
Volta, então, a reinar.
Ficamos envolvidos
Em momentos antigos
Que nos fazem sonhar.
A infância dita o que fazer
A memória remota comanda.
Ah, que vontade de correr
E fazer a cama na varanda...

Apaixonada

Atenta, por detrás da cortina,
Aflita a moça olha para a rua.
Seu pensamento corre, desatina,
Mas acalma-se ao encontrar a Lua.
Olha, não queria dizer nada...
Mas a moça está mesmo apaixonada...

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

A carta

Ao pé da escada
No chão, a carta antiga.
Uma lembrança, quase nada
De um amor, de uma despedida.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Enquanto...

Enquanto
Tens por verdade
Que tudo se perdeu
Há quem
Aguarde, com ansiedade,
Por um simples abraço teu.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

A flor

O vento
poliniza
imensidões
O pensamento
mobiliza
multidões
O sofrimento
martiriza
corações
O discernimento
agiliza
decisões
O esclarecimento
preconiza
reações
A frágil flor
Ao vento disforme
Sabe do seu valor
E de sua força enorme.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Em frente

Não havia mais linhas para o passado
Ele, então, ficou assustado, inseguro
Mas, tudo bem, no guichê ao lado
Encontrou passagem para o futuro.
E partiu.

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Pausa

É mesmo grande a agitação lá fora
Todos atrás de sonhos e emoções.
Em seu quarto, a moça triste chora
Recuperando-se de suas desilusões.

sábado, 21 de janeiro de 2017

Leve...

Leve neste seu sorriso
A leve brisa que eu adoro tanto.
Ao chegar ao seu destino lembre
Que eu espero, quieto no meu canto.
O seu querer, em gesto impreciso
Vez que outra me cativa e prende.
Sua voz macia, de alegria ou pranto
Parece às vezes que a mim se rende.
Espero, então, o seu olhar em mim
A me dizer o que espero ouvir.
Espero, então, soar seu doce "sim"
E não ter que vê-la outra vez partir...
Você faz falta...

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

É assim...

Diversos lugares
À noite, nos bares
A troca de olhares
Às vezes, certo calor
O carinho, segura
A distância, tortura
Assim é a procura
De um grande amor.

Uma vez...

Vinha de algum outro quadrante
De um ponto sumido, distante
No vasto Universo sideral
Vinha de um modo urgente
Num piscar, feito estrela cadente
A luzir, a fulgurar, a brilhar sem igual
Vinha sem rastro e sem medo
A se expandir, a flutuar, sem segredo
A criar sonhos de forma escultural
Vinha com pressa, sem tempo, sem demora
Não contava, segundos, minutos, nem hora
Não fazer qualquer previsão era do seu natural
Vinha do nada, sem nada, apenas por vir
Não se sabia se haveria um tempo de partir
Não se cogitava sobre início nem se existiria final
Encantou e sumiu, se perdeu neste mundo disperso
Encantou e sumiu, retornou aos confins do Universo
Deixou-se em emoção e na inspiração de cada verso.

domingo, 15 de janeiro de 2017

E aí?

Talvez haja o que te atraia
O que te distraia
O que te abstraia
O que te leve à gandaia
Talvez haja o que te retraia
O que te faça tocaia
O que te contraia
O que chega e te esvaia
Talvez haja o que em ti ensaia
O que em ti sobressaia
O que de ti não se extraia
O que te conduza à vaia
O que te mantém na raia?
O que temes que te traia?
O que queres que fique ou saia?
O que haverá que te subtraia?
E aí, qual é a tua praia?

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Encantamento

Que encanto há
no sorriso disfarçado
no olhar meio de lado
no dizer sem nada falar?
Quem sabe não diz
E nada fica esclarecido.
Tudo assim, por um triz.
Tudo assim, subentendido...

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

A noite

Caminhos que fiz e refiz
Cada dia, cada madrugada
Planos que fiz e desfiz
Foram tantos, mas quase nada
No silêncio a noite se insinua
Por aí, por aqui, pela vida, pela rua.