quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Criação

poesia
agonia
pedra 
bruta
sem
sal
sem
nome
nem
bem
nem
mal
mal
vem

some

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Não me digam...

Não me digam dos azuis do tempo
De quem espera o caminhar florido
E se poupa e se queda no silenciar.

Não me digam do oscilar do vento
Que ondulava o cabelo comprido
De quem soube, um dia, comigo caminhar.

Não me digam da tempestade
Que devasta um ser
Em ondas de frio e de calor.

Não me digam saber mais que a verdade
Que se revolve em ares de saber
Se do que se fala é de amor...

É de amor!
Que cinge, torna a alma pura.
Que expande o perfume da flor.

Esse amor
Misto de calmaria e loucura
Que dá à vida outro sabor.

Não me digam porque bem sei (exclamo!)
Não me digam porque já amei (e amo!)

E é bem assim...

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Sem fim...

o meu último poema
será de todos o mais simples
mas não terminará
com um fim

não selará a minha sorte
atravessará a minha vida
ultrapassará a minha morte
e não será de despedida

será sem ponto e sem nostalgia
pois seguirá na poesia
que vive em mim

Sementes

Aqueles tempos de festas
Deixaram arestas
De um passado
De histórias vividas
Que marcaram nossas vidas
E caminham ao nosso lado.

A gente cantava
E se emocionava
Com o mundo.

Sabia que o amor
Sempre teria valor
E não acabaria num segundo.

Eram tempos tão bons
Eram nossos os tons
E as melodias.
Era um sonho tão louco
Éramos felizes com pouco
No muito de nossas poesias.

A compor e a cantar
A sorrir e a dançar
Sempre seguros
De que o amor e a arte
Sempre, em toda parte
Estariam em nossos futuros.

Aqueles tempos de festas
Deixaram arestas
Mas muita emoção.
Pois o sonho da gente
Ficou para semente
E não foi ilusão.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Riqueza

Nada se coaduna
Com a sua fortuna.
Fica lá, na mansão.
Mora com a solidão...

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

A moça

A moça, anda por aí...
Chega, mas não avisa.
Simplesmente sorri.
Brinca de ser brisa...

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Guardado...

Aquele ar de fim de tarde.
A xícara vazia de um gole de chá.
O amarelado do Sol já tão longe.
O perfume na sala e na memória.
As tantas conversas.
Os tantos sorrisos.
As lágrimas fugidias.
Dias e dias de história.
Decisões refletidas.
Decisões impensadas.
Madrugadas de olhares brilhantes.
O amanhecer de mãos dadas na praia,
no campo, no banco da praça.
Um tempo para nunca esquecer.
Rever, refazer, repetir.
Toda vida, a vida toda.
Detalhes lembrados à noite.
Um sorriso discreto ao lembrar.
Isso tudo em vidas, tantas
Que nem mesmo dá para contar.
Muito guardado na lembrança
ou no livro que acabamos de fechar.

Noite

Noite brejeira
Noite faceira
Noite pra mim.


De toda maneira
Aos poucos ou inteira
Noite, enfim.

Dos lugares
Dos andares
Dos olhares

Da nostalgia
Da boemia
Da poesia.

A noite é meu dia...

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Um dia...

a nuvem
densa
tensa
avança
avança
avança
alcança
em tempo
o vento
que atormenta
com a tormenta
e transforma
de toda forma
em tempestade
em verdade
que abala
arrasa
assola
como brasa
que teima
e queima
o que ficou
o que restou
o que partiu
a esmo
sem crer
sem saber
mesmo
o que havia
e o que sentiu
um dia.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Amavam-se...

Não sabiam do amanhã
Se seria ou não seguro.
Não guardavam esperança vã
De conquistar um melhor futuro.

Viviam o hoje, o agora
Sem ilusão perdida.
Não tinham tempo nem hora
Para chegada ou partida.

Sentiam-se bem assim
Não temiam qualquer tropeço.
Não sabiam quando seria o fim
Nem quando fora o começo.

Amavam-se simplesmente
No maior dos sonhos seus.
Num amor que nem se descreve.
Não sabiam quando era o adeus
Ou quando era o até breve.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

O destino...

Dias desses, de inopino,
Encontrei comigo, ainda menino.

Ele olhou em meus olhos com firmeza
E falou com ternura sem fim:
"- Responda com certeza:
O que o futuro ensinará para mim?"

Respondi sem demora
Ainda com ansiedade de menino:

"- Saiba que homem também chora
Por não saber o seu destino..."

Depois seguimos nossos passos.

Ele, criança, correu a brincar numa alegria incontida.
Eu, adulto, fiquei a pensar nos rumos que se dá na vida...

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Você e o espelho

Você olha no espelho
E lembra de mim.
Quer saber onde andarei
Com meu mar de sonhos.
Quer saber se encontrei
Aquela luz que buscava.
E você fica assim
A perguntar:
- Por que lembrei
De quem eu não amava?

Você olha no espelho
E cobre o rosto com a mão.
Lembra o meu sorriso
E sente solidão.
Sabe que os dias meus
Não lhe pertencem mais.
Sente que é preciso
Me esquecer, mas não o faz.

Agora, você evita olhar o espelho...
Quebra-o num ato de insana coragem.
Para que enfim
Desapareça minha imagem
Restando cacos de mim.
Talvez uma miragem...

Que surge no mais remoto momento
Seja como for.
Tem a mim em seu pensamento
Num misto de ódio e amor...

Que culpa tenho eu?

Eu não resisto...

Às vezes confuso procuro
Um ambiente, um local, porto seguro
Em que eu sinta as palavras pelo ar.

Onde as emoções aflorem
E os ventos, firmes, explorem
Os sentimentos no lugar.

E eu respire o néctar dos apaixonados
E mesmo a mágoa dos desiludidos.
E perceba, quieto, a tristeza ou a alegria.

Porque capto, e não está em mim,
As imagens, os silêncios, tudo enfim
Que traduzo na forma de poesia.


Eu não resisto...

domingo, 3 de agosto de 2014

Somos

Já meio desconexo
imagem, pensamento
miragem, sentimento
simples, complexo
sou um tanto complemento
verde claro, azul, cinzento
brisa, vento forte, poeira
verdade, mentira, besteira
sou o sorriso que não sorri
um pouco do que não vi

sigo o texto que ainda não li
sou menos de mim do que de ti.
Afinal, o que somos
se não o que sonhamos?
estes pequenos pedaços
frações, quase cacos
suspirando alguma virtude
aspirando por completude.