sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Está escrito

Não me fales do tempo
Quando comento do vento
Pois me lembro do Verissimo.
De escrever este tinha o dom.
Não me fales de pedra
Se menciono do caminho.
Outro que estava certíssimo
Era um poeta, o Drummond.
Não exijas que eu jure.
Que seja infinito enquanto dure.
Grande frase, entre outras mais
De outro gênio, o Vinicius de Moraes.
E se me dizes sobre coisa mais linda
Um pensamento me vem logo assim.
Viajo, então, mais ainda
E me recordo do Jobim.
Para cada expressão um autor
Que é algo mesmo esquisito:
Quando conversamos, da vida, do mundo, do amor
Parece sempre que alguém já havia escrito...

domingo, 21 de dezembro de 2014

Pensando em ti

Ontem passei por mim
e fiquei bem assim:
quase que não me reconheci!
Me cumprimentei e não respondi.
Eu passar por mim, correndo...
Algo deveria estar acontecendo...
Mas confesso que não me ofendi.
Eu só poderia estar pensando em ti...

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Amar

Amar é se estar certo de viver incertezas.
É não saber de hora para chegar ou partir.
Andar por novas trilhas, adivinhar sutilezas
E somente querer prosseguir...

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

A xícara

A xícara
recordação da infância
quebrou-se em várias partes.
Recolhia ali seus sonhos espatifados.
A cada movimento com a pazinha
era uma lembrança que vinha
dos cafés e dos pensamentos guardados.


Expectativas aos pedaços...
Passado e futuro divididos em cacos...

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Por enquanto...

Enquanto era abafado o canto
Escondido no sorriso largo
Ao longe era ocultado o espanto
Disfarçado no olhar amargo.
O silêncio era ouvido ao longe
Como um grito em meio ao deserto.
E o nada que esta frase abrange
Trazia o longe cada vez mais perto.
Morri dez vezes naqueles olhares insanos.
Corri nas profundezas do meu quarto.
Reinventei um por um meus desenganos
E assumi a arte, a minha parte, no teatro.
Hoje trago um sorriso amargo
Grito ao mundo um choro abafado.
Antes perto hoje passo ao largo
Daquele olhar, um ato consumado...
Fecho as cortinas em arrastado salto.
Finda uma história, outra já começa.
Abraço o vento, o ar vazio, no palco
Ao menos por enquanto é o fim da nossa peça...

domingo, 7 de dezembro de 2014

O tempo

O tempo, este implacável
escritor de verdades.
Este indecifrável
criador de realidades.
Sempre o temos ao lado,
mas ele se esvai, de repente.
Vê: agora já é passado
o que a um instante era presente.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Não desanima...

Não desanima,
pensa além.
Após a esquina
há sempre alguém.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Fazer planos...

Um dia ela planejou
não fazer mais planos.
Não mais se enganar
nem causar desenganos.
Por fim, terminou por sorrir.
Isso já era um plano;
talvez novo desengano...
Melhor esquecer e prosseguir...

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

o olhar da moça

a moça e seu sorriso tamanho
sorriso belo, largo, incontido
no seu triste olhar castanho
no seu triste olhar perdido